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Esporte Brasileiro não é prioridade no país

20/06/2018
Esporte Brasileiro não é prioridade no país

Entidades e atletas temem pelo futuro do esporte nacional após Medida Provisória


A Medida Provisória n° 841, assinada pelo presidente Michel Temer na última segunda-feira (11), está gerando grande preocupação para entidades esportivas e atletas. A MP trata do remanejamento de recursos da área do esporte para segurança pública no âmbito federal.

Embora o entendimento da importância e emergência do investimento em segurança, o que é questionado pela entidades é a postura do governo em sacrificar ainda mais as políticas sociais para solucionar outros problemas, como a violência.

O presidente em exercício da Confederação Brasileira de Desporto Escolar (CBDE), Robson Aguiar, destaca que o Brasil já convive com a falta de uma política esportiva e com esse remanejamento o esporte nacional corre grande risco. “A redução prevista na Medida Provisória do pouco que hoje é investido nos esportes educacional, de rendimento e de participação, em alguns anos ocasionará o extermínio do esporte, além um aumento ainda maior nos já alarmantes índices de violência do país”, alerta Robson.

Aguiar ressalta ainda que o esporte é a política pública que mais contribui para a retirada da rua crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social, o que impacta significativamente na redução das desigualdades sociais. “Estudos da ONU comprovam a importância do esporte como fator de desenvolvimento humano e da busca pela paz, reduzindo diretamente os gastos das áreas de saúde e segurança pública, além de muitos outros de forma indireta. Em todo o mundo, o esporte é um poderoso instrumento de prevenção à criminalidade. O Brasil também precisa ter esse entendimento. Estamos indo na contramão do resto do planeta”, enfatiza Robson.

Quem compartilha da mesma opinião é o presidente da CBDU – Confederação Brasileira do Desporto Universitário, Luciano Cabral. Para o presidente a questão de segurança no país é um problema grave, porém a MP 841/18 está totalmente equivocada ao retirar recursos do esporte de base e formação em prol da segurança. “Somos sensíveis a questão da segurança do país mas não em detrimento ao esporte de base e formação. Primeiro porque destrói todo sistema esportivo do nosso país. Quando você acaba com o esporte na escola, com o desporto universitário, o desporto nos clubes, você acaba com a formação. Nós já temos uma grande dificuldade no Brasil para formar atletas que, ao longo dos anos as Confederações vem justamente discutindo e construindo como formar uma política pública única e definida e, estamos justamente definindo o papel do esporte na escola, na universidade e no clube formador”, disse Luciano.

O presidente da CBDU destacou também que ao se falar de esportes é comum que se busque referencias em atletas que são destaques: “no caso do esporte universitário nos temos números significativos que são fruto desse trabalho na base, nos clubes. Por exemplo, 53% das medalhas do Brasil nas Olimpíadas 2016 no Rio foram de atletas que passaram pelo esporte universitário brasileiro. Apesar do esporte universitário, assim como o escolar, não terem essa visibilidade tem tido esse papel muito forte. Agora imagina a quantidade de jovens do país que iniciaram a pratica esportiva na escola, através da admiração por esses atletas e que, se não seguiram a carreira no esporte com certeza trilharam outros caminhos de formação, como médicos, professores, engenheiros, mas tendo a base esportiva”, destacou o presidente.

Após uma semana da assinatura da Medida Provisória são muitas as manifestações contrárias ao seu conteúdo. No jogo desta segunda pela final da Liga Ouro de acesso a primeira divisão do basquete, o NBB, o Corinthians entrou em quadra no Ginásio Wlamir Marques com uma faixa de protesto a MP 841 com os dizeres: “ESPORTE + CULTURA= SEGURANÇA. LutoPeloEsporte ContraMP841”.

Essa foi apenas uma de muitas manifestações que tem sido noticiada na última semana. Também na segunda-feira (18) a CBJ (Confederação Brasileira de Judô) publicou em seu site uma matéria que trazia o posicionamento da seleção contra a MP.

A judoca bicampeã olímpica, Sarah Menezes disse que conheceu o judô na escola, em Teresina e, venceu os Jogos Escolares da Juventude antes de se tornar a primeira mulher brasileira a conquistar um bicampeonato olímpico de judô. Para o peso-pesado Rafael Silva, dono de duas medalhas olímpicas de bronze (Londres 2012 e Rio 2016), a Medida Provisória prejudicará a formação de novos atletas, já que afeta diretamente o investimento na base do esporte: "Eu sou contra a MP 841 que está ceifando os recursos do esporte, principalmente na base, onde a garotada mais precisa de investimento para poder transformar a vida das crianças, tirá-las das ruas colocando-as para praticar esporte ", disse.

Rogério Sampaio, diretor executivo do COB, citou a perda do prêmio extra em anos de Jogos Olímpicos e dos Jogos Pan Americanos, mas se disse mais preocupado com a “perda de equilíbrio do panorama do esporte nacional”. “Tudo o que perderemos agora, levaremos muitos anos para recuperar isso”. Mencionou o fato de que a MP foi aprovada sem qualquer consulta aos setores do esporte, da cultura, nenhuma discussão prévia antes do seu lançamento.


Texto: Raquel Rampon com colaboração de Esporte Escolar

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