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Dirigente do COB espalha boato sobre fim dos Jogos Escolares da Juventude

11/12/2017
Dirigente do COB espalha boato sobre fim dos Jogos Escolares da Juventude

Possível motivação seria a aprovação do Projeto de Lei 6718 que altera configuração de repasse de recursos para a entidade


Em tramitação no congresso federal o Projeto de Lei 6718 trata da redistribuição dos recursos oriundos dos 2,7% da arrecadação bruta das loterias federais destinados as entidades que promovem o desporto educacional no país.

Pela Lei, conhecida mais popularmente como Lei Pelé, entidades como Comitê Olímpico Brasileiro, Comitê Paralímpico Brasileiro, Confederação Brasileira de Desporto Escolar e Confederação Brasileira de Desporto Universitário teriam a garantia de receber tal destinação, porém, de acordo com a Comissão responsável pelo Projeto, o que vem ocorrendo é uma disparidade na distribuição do recurso que acaba por privilegiar algumas entidades esportivas e o esporte de alto de rendimento, que também está provisionado como um dos destinatários dos recursos, em detrimento ao objetivo maior da Lei que é a promoção do desporto educacional brasileiro.

Atualmente o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) é um dos principais beneficiários do recurso da Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998. A entidade sozinha recebe anualmente por volta de R$ 200 milhões de reais advindos da Lei Pelé, os quais são repassados a diferentes confederações desportivas de acordo com seus projetos e programas.

Uma denúncia feita pela ESPN/UOL em 27/10/2017 apontou que dirigentes do COB recebiam salário mensais na casa dos R$88 mil, enquanto confederações que promovem o desporto no país recebiam repasses inferiores a soma anual de tais salários, a exemplo do Gerente Geral de Juventude do COB, Edgar Hubner, que de acordo com a reportagem recebe mensalmente R$ 44.599,00.

Neste final de semana, numa rede social, o dirigente do COB postou um questionamento aos seus seguidores: “PL 6718 / 2016. Acaba com os Jogos Escolares da Juventude / COB. O que você acha?”

Juntamente a postagem foram replicadas as hashtags jogosescolarescob e naoqueremosmudança. As postagens foram alvo de várias críticas de representantes de entidades ligadas ao desporto educacional que acusam o dirigente a espalhar boatos sem fundamentos.

Questionado sobre a postagem, Edgar Hubner, que retirou o post ainda no sábado de suas redes sociais, disse a reportagem do Esporte Escolar que não havia recebido ainda email do veículo, mas já adiantava que não tinha nada a comentar no momento. Edgar encaminhou ainda um documento assinado por gestores estaduais ligados ao desporto escolar de 15 estados brasileiros e 12 confederações brasileiras de modalidades esportivas.

O documento, intitulado “Carta de Rondônia” pede alteração, no parágrafo 2º, item III do texto do PL 6718 que diz: “15% (quinze por cento) serão destinados à Confederação Brasileira do Desporto Escolar (CBDE) sendo até 1/3 (um terço) voltado à organização dos Jogos Escolares da Juventude, em programação definida conjuntamente com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB)”, entendendo que a forma apresentada retiraria do Comitê Olímpico Brasileiro o orçamento mínimo necessário para a realização dos Jogos.

Quem também se manifestou sobre a postagem foi o presidente em exercício da Confederação Brasileira do Desporto Escolar – CBDE, Robson Aguiar.

Para Robson e, em nome da CBDE, não há justificativa para o Comitê Olímpico Brasileiro querer executar os Jogos Escolares: “Não é de sua competência e tão pouca atribuição. A responsabilidade do COB é a gestão do movimento Olímpico e a montagem das representações brasileiras nos Jogos Olímpicos. A entidade máxima, reconhecida internacionalmente na gestão do desporto escolar é a CBDE. Desejamos a parceria com o Comitê Olímpico, e reafirmamos que haverá continuidade dos jogos, mas a realização através da CBDE” disse o presidente.

Ainda de acordo com Robson Aguiar, atualmente no formato de organização, os Jogos realizados pelo Comitê Olímpico não são reconhecidos pelas Federações Internacionais do Desporto Escolar e consequentemente não é possível as equipes que se sagraram campeãs nos jogos, seguirem para os campeonatos mundiais e Pan-Americanos, como ocorre com as competições organizadas pelo sistema CBDE.

Outra informação relevante, a PL prevê um aumento no repasse de verbas aos estados, para aplicação prioritária no desporto escolar. Ou seja, ampliando a participação das escolas e consequentemente aos jogos nacionais.

De acordo com relatório do próprio COB disponibilizado em seu site em 2016, dos aproximados R$ 88 milhões repassados as confederações, um pouco mais de R$ 12 milhões foram destinado ao desporto escolar e R$ 9 milhões ao desporto universitário.

Para o relator do projeto, Deputado Fábio Mitidieri o que se pretende é ajustar a disparidade no repasse de recursos oriundos dos 2,7% da arrecadação bruta dos concursos de prognósticos e loterias federais e similares, previstos na Lei: “Acreditamos que este Projeto de Lei merece aprimoramentos para fortalecer o esporte brasileiro, por meio da otimização dos recursos destinados aos esportes olímpicos, do fortalecimento das Confederações Olímpicas, bem como da democratização das entidades nacionais de administração do desporto que manejam verbas públicas” disse o deputado.

No parecer do projeto o deputado fala ainda sobre destinações mais claras dos recursos repassados ao COB que “deverá ficar restrito a programas e projetos de fomento ao esporte, manutenção da entidade e formação de recursos humanos. Por sua vez, a maior parte do montante recebido pelo COB será canalizado para as ações finalísticas do esporte: preparação técnica e manutenção de atletas das equipes olímpicas brasileiras, bem como realização de eventos esportivos”.

Ainda conforme o PL, os valores transferidos à Confederação Brasileira de Desporto Escolar – CBDE serão de 10% e, os Jogos Escolares da Juventude receberão exclusivamente 5% dos recursos advindos de loterias acima descritos, deixando claro que os jogos serão mantidos e, pretendesse aumentar os recursos repassados às Secretarias de Esporte dos Estados e do Distrito Federal, advindos do adicional de quatro e meio por cento incidente sobre cada bilhete dos concursos de prognósticos, para aplicação prioritária em jogos escolares de esportes olímpicos e paraolímpicos.
Atualmente o COB, no âmbito do desporto escolar, promove um grande campeonato brasileiro que são os Jogos Escolares da Juventude que reúne mais de 07 mil atletas entre 12 e 17 anos de idade em 14 modalidades esportivas.

Já a CBDE, em 2017, promoveu 08 campeonatos brasileiros escolares, seletivas nacionais para os 11 mundiais escolares que o Brasil participou além de 01 Sul-Americano, envolvendo aproximados 07 mil atletas (destes 05 mil participaram das seletivas brasileiras e 02 mil atletas dos mundiais) envolvendo 26 federações desportivas escolares em todo o território brasileiro e é o atual campeão da Gymnasíade escolar, o maior evento do desporto escolar mundial.

Mesmo com toda a polêmica sobre o tema uma certeza os professores e atletas escolares podem ter: os jogos continuam.

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